- Futebol não é só marcar, é criar. O Marcos Assunção foi meu jogador no Flamengo, conheço ele, e avisei aos meus jogadores: o escanteio da esquerda para direita ele bate fechado, da direita para a esquerda ele bate aberto. Aí você tem sete jogadores na área na hora do escanteio, o cara do Palmeiras cabeceia e não tem uma disputa de bola! Não é possível! Eu também evitei fazer falta ali na frente da área. Na última bola do jogo, o árbitro deu a falta. Tu vai tomar o gol. O cara é bom. Tu vai tomar o gol! O gol do Internacional também estava escrito. Eu joguei com o Internacional quando estava no Botafogo, saiu gol com o Kleber. Joguei com o Cruzeiro, saiu gol de onde? Do Kleber. Contra nós, vai sair o gol de onde? E aconteceu o gol de onde? Do Kleber. Quando você é pego de surpresa, tudo bem, fazer o quê? Mas quando o jogo está desenhado, você não pode tomar gol desenhado.
Assim - usando as derrotas para o Palmeiras e para o Internacional como exemplos - o técnico Joel Santana destacou a importância do fator surpresa, nesta quarta-feira. Quando se estuda o adversário, a única derrota aceitável é aquela que vem do inesperado. E é com o inesperado que o treinador pretende contar para vencer o Santos, no próximo domingo, na Vila Belmiro.
- Agora vou jogar contra o Santos. Nós já sabemos que os pontos fortes deles são Neymar, Ganso e Borges. Então não tem mais o que falar. Nós não temos que ter mesmice. Temos que nos superar, porque vai acontecer, não tenha dúvida. Nós temos que saber que vamos jogar contra o campeão da América, o Santos de Pelé, Neymar, Ganso. Temos que tentar surpreender, como surpreendemos o Fluminense, o Flamengo... – afirmou o técnico.
Diante de um time que conta com Neymar, Paulo Henrique Ganso e Borges, o que se espera é um Bahia retrancado, preparado para segurar o ataque de ouro do adversário. No entanto, Joel acredita que a surpresa está justamente em confrontar a ofensividade do Peixe com o ataque tricolor.
'É um jogo que vale o campeonato', afirma Joel.
- Não adianta chegar lá e jogar 90 minutos do meio para trás. Tenho que saber como vou ataca-los. Eles têm o artilheiro do campeonato, o jogador mais badalado do país e aquele que nós apostamos que seja o jogador diferenciado para chegar na Copa do Mundo com talento. Mas isso não quer dizer que vou chegar lá para defender. Vou descobrir as falhas deles, porque ninguém é perfeito. Vou ter que encontrar um meio de anular os jogadores e fazer o gol – explicou Joel.
O treinador destacou a importância da partida para o Bahia e prometeu trabalho duro para sair da Vila com um resultado favorável.
- Para eles, o jogo não vale nada. É só manter a forma. Para nós, representa um ano de trabalho. Por uma diretoria que fez todos os esforços. É um jogo que vale o campeonato. Para eles, é só cumprir tabela. Vamos com a mesma energia e a mesma disposição. É melhor jogar contra o Santos, que vai ter audiência do Brasil inteiro, do que um jogo sem torcida. E ninguém vai para Santos dois dias antes para fazer turismo. Nós vamos para lá para trabalhar. Tomara que a gente resolva.
E, se o jogo é importante e requer surpresa, Joel não se esquece de fazer um pedido aos jornalistas presentes na entrevista coletiva:
- Não manda a escalação do treino de hoje para lá, não, po. Ajuda a gente. Coloca outro time qualquer. Desliga aí! Isso não vale. Isso é covardia. Vocês sabiam que eles falam em vir com três atacantes? – brincou o treinador.
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